terça-feira, 15 de abril de 2014

Regra Primitiva da Ordem dos Irmãos da Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo



1. Alberto, pela graça de Deus, chamado a ser Patriarca da Igreja de
Jerusalém, aos amados filhos em Cristo B. e demais eremitas que,
sob a sua obediência, vivem junto à Fonte no Monte Carmelo, a
Salvação no Senhor e a Bênção do Espírito Santo.
2. Muitas vezes e de muitas maneiras os Santos Padres estabeleceram
como cada um, qualquer que seja o estado de vida a que pertença ou
qualquer que seja o modo de vida religiosa que tenha escolhido, deve
viver em obséquio de Jesus Cristo e serví-lo fielmente com coração
puro e consciência serena.
3. No entanto, como vocês nos pedem que, de acordo com o seu projeto,
lhes apresentemos uma forma de vida à qual, de agora em diante,
devem manter-se fiéis:
4. Determinamos, em primeiro lugar, que tenham um de vocês como
prior, que seja eleito para este serviço através do consenso unânime
de todos ou da parte mais numerosa e mais madura. A ele cada um
dos outros prometa obediência e se empenhe em cumprir de
verdade, na prática, o que prometeu, juntamente com a castidade e a
renúncia à propriedade.
5. No que se refere a lugares de moradia, vocês poderão tê-los em
localidades solitárias ou onde lhes forem doados, desde que sejam
apropriados e adequadas à opção de sua vida religiosa, de acordo
com o que o prior e os irmãos, mediante discernimento, decidirem.
6. Além disso, levando em consideração o conjunto do lugar que se
propuseram como moradia, cada um de vocês tenha uma cela
individual e separada, que lhe será indicada por disposição do
próprio prior e com o consentimento dos outros irmãos ou da parte
mais madura.
7. De tal modo, porém, que, num refeitório comum, tomem o alimento
que lhes for doado, ouvindo juntos alguma leitura da Sagrada
Escritura, onde isto puder ser feito sem dificuldade.
8. A nenhum irmão será permitido, a não ser com a licença do prior em
exercício, mudar-se do lugar que lhe foi indicado ou trocá-lo com
outro.
9. A cela do prior deve localizar-se junto da entrada do lugar, para que
ele seja o primeiro a ir ao encontro dos que vierem a esse lugar; e,
depois, todas as coisas que devem ser feitas aconteçam de acordo
com o seu critério e a sua disposição.
10. Permaneça cada um em sua cela ou na proximidade dela, meditando
dia e noite na Lei do Senhor e vigiando em orações, a não ser que
esteja ocupado em outros justificados afazeres.
11. Os que sabem recitar as horas canônicas com os clérigos, as recitem
conforme as disposições dos Santos Padres e segundo o costume
aprovado da Igreja. Os que não o sabem, recitem vinte e cinco vezes
o Pai Nosso nas vigílias noturnas, com exceção dos domingos e dias
solenes, em cujas vigílias determinamos que se duplique o número
mencionado, de modo que o Pai Nosso seja recitado cinqüenta vezes.
No louvor da manhã, porém, a mesma oração seja recitada sete
vezes. Da mesma maneira, em cada uma das outras horas, a mesma
oração seja recitada sete vezes, menos nas vésperas, em que devem
recitá-la quinze vezes.
12. Nenhum dos irmãos diga que algo é propriedade sua, mas tudo entre
vocês seja comum, e seja distribuído a cada um pela mão do prior,
quer dizer, pelo irmão por ele designado para este serviço, conforme
cada qual estiver precisando, levando-se em consideração as idades e
as necessidades de cada um.
13. Contudo, na medida em que alguma necessidade de vocês o exigir,
lhes é permitido possuir burros ou mulos, e algum tipo de animais ou
de aves para criação.
14. O oratório, de acordo com as possibilidades, seja construído no meio
das celas, aonde, cada dia pela manhã, vocês devem reunir-se para
participar da solenidade da Missa, quando as circunstâncias o
permitirem.
15. Da mesma maneira, nos domingos ou em outros dias caso for
necessário, vocês devem tratar da observância na vida comum e do
bem-estar espiritual das pessoas. Igualmente, nessa mesma ocasião,
as transgressões e culpas dos irmãos, que por ventura forem
encontradas em algum deles, sejam corrigidas mediante a caridade.
16. O jejum, vocês o observem todos os dias, com exceção dos domingos,
desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o Dia da Ressurreição
do Senhor, a não ser que enfermidade ou debilidade do corpo ou
outro justo motivo aconselhem dispensar o jejum, pois a necessidade
não tem lei.
17. Abstenham-se de comer carne, a não ser que seja tomada como
remédio em caso de enfermidade ou debilidade. E visto que, durante
as suas viagens, vocês se vêem obrigados com maior freqüência a
mendigar o seu sustento, para não incomodarem a quem os hospeda,
fora de suas casas vocês poderão comer alimentos preparados com
carne. Também será permitido comer carne em viagens marítimas.
18. Visto que a vida humana na terra é uma tentação, e todos os que
querem viver fielmente em Cristo sofrem perseguição, e como o seu
adversário, o diabo, rodeia por aí como um leão que ruge,
espreitando a quem devorar, procurem, com toda a diligência,
revestir-se da armadura de Deus, para que possam resistir às
emboscadas do inimigo.
19. Os rins devem ser cingidos com o cíngulo da castidade, o peito
protegido por pensamentos santos, pois está escrito: O pensamento
santo te guardará. A couraça da justiça deve ser usada como veste, a
fim de que vocês amem o Senhor com todo o coração, com toda a
alma e com todas as forças, e o próximo como a si mesmos. Sempre e
em tudo deve ser empunhado o escudo da fé, com o qual possam
apagar todas as flechas incendiárias do maligno, pois sem a fé é
impossível agradar a Deus. O capacete da salvação deve ser colocado
sobre a cabeça, para que esperem a salvação unicamente do
Salvador, pois é ele que libertará o seu povo dos pecados. E que a
espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, habite abundantemente
em sua boca e em seus corações, e tudo que vocês tiverem de fazer,
seja lá o que for, que seja feito na Palavra do Senhor.
20. Vocês devem fazer algum trabalho, para que o diabo sempre os
encontre ocupados e não consiga, através da ociosidade de vocês,
encontrar alguma brecha para penetrar em suas almas. Nisto vocês
tem o ensinamento e o exemplo de São Paulo apóstolo, por cuja boca
Cristo falava e que por Deus foi constituído e dado como pregador e
mestre dos gentios na fé e na verdade. Se seguirem a ele, não
poderão desviar-se. Ele escreve: Em meio a trabalhos e fadigas
estivemos entre vocês, trabalhando dia e noite, para não sermos um
peso para nenhum de vocês. Não que não tivéssemos esse direito,
mas queríamos apresentar-nos como um exemplo a ser imitado.
Com efeito, quando estávamos com vocês, demos esta regra: Quem
não quiser trabalhar, também não coma! Ora, temos ouvido falar que
entre vocês há alguns que levam uma vida irreqüieta, sem fazer nada.
A esses tais ordenamos e suplicamos no Senhor Jesus Cristo, que
trabalhem em silêncio e, assim, comam seu próprio pão. Este
caminho é santo e bom. É nele que devem andar!
21. O apóstolo recomenda o silêncio, quando manda que é nele que se
deve trabalhar. E como afirma o profeta: a justiça é cultivada pelo
silêncio. E ainda: no silêncio e na esperança estará a força de vocês.
Por isso, determinamos que, depois da recitação das completas,
guardem o silêncio até depois da Hora Primeira do dia seguinte. Fora
desse tempo, embora a observância do silêncio não seja tão rigorosa,
com tanto mais cuidado abstenham-se do muito falar, porque,
conforme está escrito e não menos ensina a experiência: No muito
falar não faltará o pecado; e: Quem fala sem refletir sentirá um malestar;
e ainda: Quem fala em demasia prejudica a sua alma; e o
Senhor no Evangelho: De toda palavra inútil que os homens
disserem, dela terão que prestar conta no dia do juízo. Portanto, cada
um faça uma balança para as suas palavras e rédeas curtas para a sua
boca, para que, de repente, não tropece e caia por causa da sua
língua, numa queda sem cura que conduz à morte. Que, como diz o
profeta, cada um vigie sua conduta para não pecar com a língua, e se
empenhe, com diligência e prudência, em observar o silêncio pelo
qual se cultiva a justiça.
22. Agora, você, irmão B., e quem quer que for indicado como Prior
depois de você, tenham sempre em mente e cumpram na prática o
que o Senhor diz no Evangelho: Todo aquele que entre vocês quiser
tornar-se o maior, seja o seu servidor, e quem quiser ser o primeiro,
seja o seu empregado.
23. E vocês, os demais irmãos, tratem o seu prior com deferência e
humildade, pensando, mais do que nele mesmo, em Cristo que o
colocou acima de vocês, e que diz aos que estão à frente das igrejas:
Quem ouve a vocês, é a mim que ouve; quem despreza a vocês, é a
mim que despreza, a fim de que vocês não sejam condenados como
réus por menosprezo, mas possam merecer por obediência a
recompensa da vida eterna.
24. É isso que, com brevidade, lhes escrevemos com o intento de
estabelecer para vocês a forma de conduta, segundo a qual deverão
viver. Se alguém fizer mais do que o prescrito, o Senhor mesmo lhe
retribuirá quando voltar. Use, porém, de discrição, que é a
moderadora das virtudes.

Beato João Soreth - Fundador da Ordem Terceira do Carmo

BEATO JOÃO SORETH


Fundador da Ordem Terceira do Carmo e autor de sua primeira Regra

João Soreth, nasceu em Caen, na Normandia, França, em 1394; ingressou no
Convento Carmelita de Caen, estudou Teologia na Universidade de Paris e recebeu o
Ministério Sacerdotal em 1417. Em 1440 foi eleito Superior Provincial da França e, em
1451 foi eleito Superior Geral da Ordem do Carmo.
Religioso muito culto e dotado de muitas virtudes, como Reformador do
Carmelo reconduziu a Ordem do Carmo ao seu antigo esplendor conquistando seus
religiosos a uma observância mais rigorosa da Regra de Santo Alberto, Patriarca de
Jerusalém. O Papa Nicolau V (1447-1455), concedeu à Ordem do Carmo a Bula intitulada
"Cum Nulla" que permitiu ao Beato João Soreth fundar a Ordem Carmelita das Monjas
de Clausura, a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e as Confrarias do Escapulário
do Carmo. A data da outorga dessa Bula "Cum Nulla" foi dia 07 de Outubro de 1452. O
Beato João Soreth incorporou as Monjas de Clausura na Regra de Santo Alberto. Para a
Ordem Terceira do Carmo, Soreth elaborou, em 1455, uma Regra própria, baseada em
elementos da Regra de Santo Alberto, adaptados ao movimento laical dos Terceiros
Carmelitas. Essa primeira Regra Dos Terceiros continha apenas 15 artigos. Essa Regra
passou por muitas reformas através dos séculos, entre as quais se destacou a Regra de
1948 que vigorou até 1977. Neste interim, de 1962 a 1965, realizou-se o concílio Vaticano
II, cujos documentos determinaram a todas as Ordens Terceiras uma revisão adaptada aos
documentos do Vaticano II, e dessa revisão resultou a Regra da OTC de 1977 que deveria
ser observada a título de experiência até 1987, mas essa experiência prolongou-se até a
Assembléia Geral da Ordem do Carmo no ano de 1995. Nessa Assembléia o Governo Geral
da Ordem do Carmo nomeou uma comissão internacional para proceder à revisão da
Regra de 1977 e, desta revisão, que durou anos de estudo cuidadoso da Comissão
Internacional, resultou a nova Regra da Ordem Terceira do Carmo que, formalmente,
foi aprovada pela Santa Sé no dia 11 de Abril de 2003 e promulgada pelo Governo Geral da
Ordem sob o Protocolo 115/2003 assinado em Roma no dia 16 de Julho de 2003 pelo
então Pe. Geral José Chalmers, O. Carm.. Esta nova Regra da Ordem Terceira do Carmo
entrou em vigor no dia 08 de dezembro do mesmo ano.
João Soreth faleceu a 25 de Julho de 1471; com fama de santidade. Governou a
Ordem do Carmo durante 20 anos e foi beatificado pelo Papa, hoje beato, Pio IX em 1866.
A sua iconografia o representa segurando na mão direita uma âmbula de hóstias
consagradas, alusão a um fato histórico de sua vida: as tropas de Carlos, o temerário duque
de Borgonha e conde de Flandes, invadiram uma igreja em Liège/Bélgica. O povo
enraivecido, profanou o sacrário, as hóstias consagradas foram espalhadas pelo piso da
igreja em chama, e o beato João Soreth, com o risco da própria vida, juntou as hóstias,
colocou-as na âmbula e levou-as à sua igreja conventual. É representado ainda calcando
com o pé direito algumas setas, alusão ao suposto martírio; pela tradição, ele teria morrido
em consequência de um envenenamento. Na mão esquerda Soreth segura um bastão,
símbolo de seu cargo de Superior Geral e na mesma mão, ele segura um cartaz, referência à
Bula "Cum Nulla" e ao lado do pé esquerdo, no chão, há um chapéu cardinalício e sua
mitra episcopal, alusão ao fato: o Papa Calixto III ter-lhe-ia oferecido uma rica diocese, que
ele, muito humildemente, rejeitou.

HISTORIA DA REGRA DO CARMO

BREVE HISTÓRIA DA REGRA DA ORDEM DO CARMO

A Ordem de Nossa Senhora do Carmo, cujo título jurídico é: "Irmãos da
Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo", nasceu de um grupo de
'Eremitas' latinos que viviam no Monte Carmelo desde os fins do século XII, procurando
viver uma vida santa de seguimento radical dos preceitos evangélicos de Jesus Cristo, na
meditação constante da Palavra de Deus. Este era o propósito de vida que esse grupo de
'Eremitas' estabeleceu para sua vida espiritual. No princípio, eles sentiram necessidade de
imprimir uma estrutura que lhes assegurasse a sua existência na Igreja Católica e, por essa
razão, recorreram a Santo Alberto Avrogado, Patriarca, que governou o patriarcado de
Jerusalém de 1206 a 1214, e pediram-lhe um documento que os orientasse a viver de
acordo com o estilo de vida que eles já praticavam no Monte Carmelo.
Santo Alberto, homem de cultura e de grande experência no campo jurídico, deu
aos Eremitas Carmelitas, não um Estatuto ou Regra, mas simplesmente uma "Forma
de Vida", no estilo de uma carta, estabelecendo normas que atendessem plenamente o
propósito daqueles Monjes Eremitas e, tais normas foram elaboradas com base nas
Sagradas Escrituras, mais particularmente nas cartas de São Paulo apóstolo. Essa "Forma
de Vida", foi elaborada no início do século XIII, em data desconhecida. Faltava,
entretanto, uma aprovação oficial da Igreja; houve várias aprovações de diversos Papas,
mas a aprovação definitiva só aconteceu a 07 de Outubro de 1247 pelo Papa Inocêncio IV;
esta aprovação deu à Forma de Vida da Ordem do Carmo, o caráter de Regra dos
"Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo". Da Palestina, a
Ordem do Carmo expandiu-se, primeiro pela Europa, onde se consolidou a existência da
Ordem na Igreja Universal.
Interessante observar: a Ordem de Nossa Senhora do Carmo, não teve um
fundador, como as demais ordens religiosas, mas desde o seu início, no Monte Carmelo e
na Europa, distinguiu-se como uma Ordem profundamente mariana e como teve a sua
origem no Monte Carmelo, tão celebrado nas Sagradas Escrituras e como sendo o
"habitat" dos santos Profetas Elias e Eliseu, a Ordem do Carmo passou a venerar Maria
Santíssima e os Profetas Elias e Eliseu, como os Inspiradores da Ordem do Carmo,
cujas vidas são propostas como modelos mais perfeitos de santidade para todos os
Carmelitas. Elias, como exemplo de zelo pelas coisas de Deus e Eliseu, como um
continuador da obra de Elias. Neste sentido, todos os Carmelitas são chamados, a exemplo
de Eliseu, a ser um continuador da obra de Elias.
A Ordem do Carmo, criou raízes profundas na Europa despertando muitas
pessoas, homens e mulheres a seguirem o seu estilo de vida e se imbuírem do seu carisma e
de sua espiritualidade: vida de oração intensa, e de contemplação, vida de fraternidade e
de atividades apostólicas! A Ordem do Carmo estabilizou-se na Europa, enriquecida de um
governo Geral em Roma, que administrava diversas Províncias existentes no continente
europeu. Em 1451, numa Assembléia Geral Eletiva (Capítulo Geral), o Carmelita João
Soreth (cuja história resumida podemos ler abaixo), foi eleito Superior Geral da Ordem;
homem culto nas ciências sagradas, dotado de grandes virtudes e qualidades
administrativas, teve a feliz ideia de criar uma estrutura jurídica para atender às exigências
e necessidades daquelas pessoas que já viviam espiritualmente ligadas à Ordem do Carmo.
João Soreth, posteriormente venerado como Beato, 'fundou', primeiro, em 1452, a
Ordem Carmelita das Monjas de Clausura, para as mulheres que, vivendo em
mosteiros, emitiam os votos dos Conselhos Evangélicos: pobreza, obediência e castidade,
votos que lhes permitiam viver de maneira exemplar e intensa o carisma e a
espiritualidade Carmelitana, a exemplo dos religiosos Eremitas do Carmelo. Estas monjas
de clausura receberam como norma de vida a própria Regra dos Religiosos
Carmelitas, elaborada por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém.
Para a Ordem Terceira do Carmo como se tratasse de um grupo cujo estado de
vida exigisse, o Beato João Soreth elaborou, três anos mais tarde, em 1455, uma outra
Regra Específica, embora incluísse nessa Regra, alguns elementos da Regra de Santo
Alberto, atendendo assim às exigências e necessidades daqueles leigos, homens e
mulheres, solteiros, casados ou viúvos, afiliando-os à Ordem do Carmo.
Há que se notar ainda que, além dos religiosos, das monjas e dos Terceiros
Carmelitas, surgiram, através dos séculos, outros Institutos Religiosos Carmelitas de
irmãos ou irmãs de vida apostólica, que se dedicavam às mais variadas formas de atividade
apostólica na Igreja e que estão afiliados à Ordem do Carmo, empenhados em viver a sua
vida cristã e apostólica imbuídos do carisma e da espiritualidade Carmelitana. E ainda,
recentemmente estão surgindo outros grupos de pessoas, jovens e adultos que, embora não
tenham uma estrutura jurídica, procuram viver o mesmo carisma e a mesma
espiritualidade da Ordem do Carmo, e assim, todos nós constituímos uma grande
família que é a Família Carmelitana.
Temos que considerar ainda que, além de todos estes grupos acima mencionados,
nessas mesmas categorias, há também os grupos que chamamos de Carmelitas
Teresianos ou Descalços, que pertencem à Ordem do Carmo fundada por Santa Teresa
D'Ávila e São João da Cruz, no fim do século XVI. Com estes grupos de Carmelitas, a
Família Carmelitana tornou-se ainda mais numerosa, marcando a presença do
Carmelo nos cinco continentes.
Toda a Ordem do Carmo, tem um lugar bem destacado no contexto de Igreja e com
a sua Escola de Espiritualidade tem gerado um significativo número de santos e de
grandes místicos que constituem a "Glória e o Esplendor do Carmelo". A história
da Ordem do Carmo é fascinante e maravilhosa.
O que foi escrito nestas páginas servirá de preâmbulo ao objetivo principal desta
publicação: a nova Regra da Ordem Terceira do Carmo.
Apresento este trabalho, a título de colaboração e de subsídio de formação a todos
os membros da Família Carmelitana e, lhes ofereço com a devida autorização de nosso Pe.
Provincial Frei Geraldo d'Abadia Maciel, OCarm., atual responsável pela assistência
espiritual dos Sodalícios e de todo o Laicato Carmelita!
Coloco este trabalho nas mãos da Virgem Santíssima, que é a Irmã, Mãe e Rainha do
Carmo, e fico aguardando a sua bênção fraterna e materna na divulgação deste trabalho
dedicado a todos os membros da Família Carmelitana.

CONSELHO DO SODALICIO DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SÃO JOSE DOS CAMPOS

CONSELHO DO SODALICIO DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SÃO JOSE DOS CAMPOS - SP
2014 - 2016

PRIORA: Ir Neli Maria da Santíssima Eucaristia
1ª CONSELHEIRA E SECRETÁRIA: Ir Renata Teresa de Jesus
2º CONSELHEIRO: Ir Vicente Maria da Cruz
3ª CONSELHEIRA E TESOUREIRA: Ir Maria da Sagrada Face
4º CONSELHEIRO E FORMADOR: Ir Rodolfo Soreth da Santíssima Trindade



EQUIPE FORMADORA:

POSTULANTADO: Ir Rodolfo Soreth da Santíssima Trindade
NOVICIADO: Ir Marlene da Santíssima Eucaristia
PROFESSOS TEMPORÁRIOS: Ir Vicente Maria da Cruz
PROFESSOS PERPETUOS: Ir Neli Maria da Sagrada Eucaristia

Fotos da Romaria a Aparecida e visita ao Carmelo de Tremembe 2014









R

REGRA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO

REGRA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO


PREÂMBULO

“Muitas vezes e de diversos modos” o Senhor inspirou, por meio da experiência de vida dos religiosos formas de espiritualidade laicais, ricas e atraentes. O Carmelo é, há séculos, uma via privilegiada e segura para o caminho de santidade de grande número de leigos. A Regra de Santo Alberto é como uma fonte da qual jorra a torrente do carisma. Os valores que exprime foram sempre traduzidos em novas formas e adaptados aos leigos a através dos tempos e lugares, a fim de que fossem capazes de encarnar concretamente o carisma do Carmelo e viver a sua espiritualidade segundo a própria condição de vida.

PARTE I
ESPIRITUALIDADE E CARISMA

Vocação à santidade

1 - Deus quis fazer-se conhecer e revelou-se, envolvendo a humanidade em um diálogo feito de amor e de misericórdia. Fez-nos conhecer o seu desejo de comunhão, chamando homens e mulheres a participarem de sua vida. Este projeto se realiza, por meio do Espírito Santo, em Cristo, Palavra definitiva e suprema do Pai, além da qual Deus nada mais tem a revelar. Em Jesus Cristo, Filho de Maria, Deus invisível fala aos homens como seus amigos e conversa com eles para os admitir à comunhão consigo e tomá-los irmãos uns dos outros, em vista da unidade de todo o gênero humano no seu Reino. Pelo sacramento do Batismo os seres humanos são introduzidos na vida divina, tomando-se no Espírito Santo, filhos adotivos do Pai e irmãos de Cristo, aptos a fazerem parte da imensa assembléia fraterna da Igreja, povo de Deus, “sacramento, sinal e instrumento de íntima união com Deus e unidade de todo o gênero humano” .

2 - Assim sendo, todos os fiéis, sem distinção de estado ou grau são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade: esta santidade promove também na sociedade um teor de vida mais humanoOs conselhos que Jesus propõe no Evangelho aos seus discípulos, favorecem de forma especial um caminho de santidade e a transformação do mundo segundo o espírito das Bem-aventuranças. São vividos de diversos modos em formas estáveis de vida, suscitadas pelo Espírito Santo e reguladas pela Igreja.

3 - No corpo místico de Cristo, que é a Igreja, o único mesmo Espírito suscitou em muitas ocasiões uma imensa variedade de dons e carismas, como os das várias famílias religiosas, que oferecem aos seus membros as vantagens de maior estabilidade no modo de viver uma doutrina consolidada pela experiência e vivência de pessoas santas; para atingirem a perfeição evangélica, em comunhão fraterna, no serviço de Cristo e numa liberdade fortalecida pela obediência.

- Alguns leigos, por um chamamento e vocação especial, participam do carisma das família religiosas, patrimônio comum do Povo de Deus que se torna também para eles uma fonte de energia e uma escola de vida. Essa adesão dos leigos a um carisma específico é encorajada e aprovada pela própria Igreja, que os convida a esforçarem-se para assimilar fielmente as características particu-lares da espiritualidade de tais famílias.
.
A Ordem Terceira do Carmo Secular

5 - A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo surgiu nos fins do século XII e início do século XIII, a partir de um grupo de homens que, atraídos pelo fascínio evangélico dos Lugares Santos “lá se consagraram Aquele que ali havia derramado o seu sangue  em uma vida de penitência e de oração. Estabeleceram-se no Monte Carmelo, junto á Fonte de Elias e receberam, a seu pedido, uma Norma de Vida, de Alberto, Patriarca de Jerusalém (1206-1214) que os constituiu em uma única comunidade de eremitas, reunidos ao redor de um oratório dedicado a Maria. Após as aprovações de Honório III (1226) e Gregório IX (1229), Inocêncio IV (1247) completou seu caminho de fundação e, com algumas alterações dessa Norma de Vida, inseriu-os entre as nascentes Ordens de Fraternidade Apostólica (mendicantes) chamando-os a unir à vida contemplativa a solicitude pela salvação do próximo.

6 - Uma vez estabelecidos na Europa, os frades acolheram leigos, junto aos próprios conventos, os quais, de certo modo, foram considerados Carmelitas. Eram chamados “oblatos” ou “donatos”, visto que doavam os próprios bens aos conventos, passando a depender dos mesmos para o seu sustento. Como na sua maioria eram mulheres, havia necessidade de casas próprias. Também eram chamadas “manteladas” pois traziam um hábito semelhante ao dos frades.

7 - Com o tempo estes leigos organizaram-se em grupos homogêneos, com obrigações análogas às dos frades. A primeira aprovação jurídico-eclesiástica foi por meio da bula pontifícia “Cum Nulla“, de autoria do Papa Nicolau V, de 7 de outubro de 1452. Esta bula lançou as bases da Ordem Segunda e Terceira, com várias etapas de desenvolvimento. A bula autoriza os superiores da Ordem a dirigir vários grupos de mulheres e a explicitar o seu gênero de vida. A concessão contida na bula “Cum Nulla”, foi posteriormente explicitada por outra bula, a “Dum atenta” de Sisto IV, de 28 de novembro de 1476. Estes dois documentos pontifícios são a base da hodierna estrutura da Família Carmelitana.

8 - A bula “Cum Nulla” reconheceu a existência de grupos distintos, com votos solenes ou simples. Paulatinamente algumas dessas mulheres, que podiam também viver sozinhas e fora do convento, identificaram-se como o terceiro grupo da Família Carmelita, razão pela qual começaram a ser chamadas “terceiras” Em 1476, o Papa Sisto IV autorizou a Ordem do Carmo a organizar os seus vários grupos de leigos, como as Ordens Terceiras das demais Ordens Mendicantes.

9 - Simultaneamente surgiam confrarias que solicitavam o gozo dos privilégios do Escapulário. O Prior Geral Teodoro Straccio (1636-1642) desejando resolver a situação, criou uma Ordem Terceira de “continentes” na qual os confrades e irmãs emitiam votos de obediência e de castidade segundo o próprio estado, enquanto os demais seculares ingressavam nas confrarias do Escapulário.

10 - Já nos séculos XIX e XX procurou-se favorecer o aspecto “secular” dos terceiros. Esta dimensão atingiu o ápice na Regra aprovada após o Concílio Vaticano II. Hoje, portanto, os seculares são chamados, na especificidade de sua vocação, a iluminar e a dar o justo valor a todas as realidades temporais, de forma que sejam vividas segundo os valores proclamados por Cristo e em louvor do Criador, do Redentor e Santificador num mundo que parece viver e agir como se Deus não existisse. Espera-se que os leigos Carmelitas sejam colaboradores da nova evangelização que permeia toda a Igreja; por isso procurem superar em si mesmos a separação entre Evangelho e vida. Em sua rica atividade quotidiana, na família, no trabalho e na sociedade, procurem restaurar a unidade de uma vida que encontre no Evangelho inspiração e força para ser vivida em plenitude.

Vínculos com o Carmelo

11- Os membros da Ordem Terceira reconhecem o Prior Geral como pai espiritual, chefe e vínculo de unidade; recebem da Ordem, orientação e estímulo, destinados a promover, fomentar a concretização dos fins da própria Ordem Terceira do Carmo. Contudo se concede aos próprios leigos uma ampla autonomia de iniciativa e de condução da vida das respectivas fraternidades, segundo os próprios estatutos. São eles mesmos que elegem os seus dirigentes, assistidos espiritualmente e ajudados pela disponibilidade paternal de um sacerdote, Carmelita ou não, ou ainda de um frade ou de uma religiosa Carmelita.

12 - O vínculo fundamental do terceiro com o Carmelo é a profissão. Este empenho traduz-se em uma forma de promessa ou, em alguns casos, conforme um antigo costume, com a emissão dos votos de obediência e de castidade, segundo as obrigações do próprio estado. Deste modo, o terceiro consagra-se mais profundamente a Deus, de modo que possa oferecer-lhe um culto mais intenso. Mediante a profissão o terceiro, na verdade visa intensificar as promessas batismais de amar a Deus sobre todas as coisas e de renunciar a Satanás e às suas seduções. A originalidade desta profissão está nos meios escolhidos para atingir a plena conformidade com Cristo. O Carmelita sabe que comparece diante do Senhor de mãos vazias, mas põe todo seu amor esperançosoem Cristo Jesus, que se toma pessoalmente a sua santidade, a sua justiça, o seu amor, a sua coroa. O cerne da mensagem de Jesus - amar Deus com todo o coração e ao próximo como a si mesmo - exige do terceiro uma afirmação constante do primado de Deus, a recusa categórica de servir a dois senhores e a opção prioritária de amar o próximo,combatendo toda a forma de egoísmo de fechamento em si mesmo.

13 – Os valores dos conselhos evangélicos, comuns a todos os cristãos, tomam-se para o terceiro um programa de vida que atinge as esferas do poder, da sexualidade e dos bens materiais. São um auxílio mais forte para não servir falsos ídolos; e conseguir a liberdade de amar Deus e o próximo acima de todo egoísmo. A santidade consiste exatamente neste duplo preceito.

14 - Pela profissão o terceiro assume o compromisso de viver o Evangelho radicalmente, segundo o próprio estado de vida. Ao terceiro é dada a liberdade de emitir a profissão sem os votos, apenas com o propósito de professar a presente Regra, ou também com os votos. Os terceiros que fazem os votos são chamados à obediência aos superiores da Ordem e ao seu assistente espiritual em tudo aquilo que lhes é determinado pela Regra para sua própria vida espiritual. Com o voto de castidade comprometem-se a viver esta virtude de acordo com as obrigações do próprio estado.

15- Os terceiros reconhecem nos Carmelitas consagrados na vida religiosa uma válida direção espiritual. São acompanhados pelos religiosos em seu caminho rumo a uma vida contemplativa e ativa num mundo sempre mais complexo e exigente, mas que ao mesmo tempo procura avidamente os valores espirituais. Por essa razão os leigos devem ser acompanhados para viverem o carisma do Carmelo em espírito e verdade,abertos à ação do Espírito Santo, e tendendo a uma plena participação e comunhão no carisma e na espiritualidade do Carmelo, tendo em vista uma nova leitura carismática da sua laicidade e uma plena corresponsabilidade no dever de evangelizar e no exercício dos ministérios específicos da vida Carmelita. Deste modo, os Terceiros Carmelitas Seculares tornam-se efetivamente e de pleno direito membros da Família Carmelita.

16 - Os Carmelitas consagrados na vida religiosa reconhecem as vantagens espirituais e o enriquecimento que para a Família Carmelita trazem os fiéis leigos, que, inspirados pelo Espírito Santo, e respondendo a um especial chamado de Deus, livre e espontaneamente se comprometem a viver o Evangelho segundo o espírito do Carmelo. Na verdade, a sua participação pode contribuir, como nos ensinam experiências do passado, com fecundos aprofundamentos de alguns aspectos do carisma, reinterpretando-os e impulsionando a novos dinamismos apostólicos também por meio da “preciosa contribuição da sua secularidade e do seu serviço específico.

Chamado específico do Carmelita Secular

17- A vida espiritual - ou vida segundo o Espírito - começa com a iniciativa do Pai, que, mediante o Filho e no Espírito Santo dá a cada homem e a cada mulher sua vida e santidade, chamando cada um a viver uma misteriosa relação de comunhão com as pessoas da Santíssima Trindade. Deus vem a procura de cada pessoa, atraindo-a para si através do seu Filho o Espírito faz com que dirija sua atenção para Ele, escute a sua voz, acolha a sua Palavra, se abra à sua ação transformadora. A procura de Deus por parte de um Carmelita Secular e sua obediência ao senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma resposta, impulsionada pelo Espírito, à sua voz no diálogo fraterno que ele estabelece com cada um pelo Verbo que se fez carne. O caminho de um terceiro começa com o ato de fé que o faz acolher Jesus e o evento pascal, como o sentido da sua vida e o faz deixar-se conduzir por Ele, colocando-o no centro de sua própria vida. Assim enraizados no amor misericordioso de Deus, os Leigos Carmelitas se propõem a subir o Monte Carmelo, cujo cume é Cristo Jesus.

18 - A subida do Monte por parte de um leigo, em primeiro lugar, implica em seguir a Cristo com todo o seu ser e servi- Lo “fielmente com coração puro e total dedicação” . O espírito de Cristo deveria entranhar sua pessoa a ponto de poder repetir com São Paulo, “não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”, de forma que todo seu agir ocorra “sob sua palavra”

19 - Jesus deve tomar-se progressivamente a Pessoa mais importante da sua existência. Isto significa uma relação pessoal, calorosa, afetuosa, constante com Jesus. Tal relação é nutrida pela Eucaristia, vida litúrgica, Sagrada Escritura e pelas várias formas de oração, induzindo o terceiro a reconhecer Jesus no próximo e nos eventos quotidianos, levando-o a testemunhal pelas estradas do mundo a marca indelével de sua presença.

20-O chamamento do Pai para o seguimento de Cristo por obra vivificante do Espírito Santo, se realiza na plena pertença à Igreja. O terceiro recebe o chamado à santidade pelo sacramento do Batismo que incorpora os seres humanos no Corpo Místico de Cristo. A sua maior dignidade consiste exatamente no gozo da própria vida divina e do amor de Deus derramado em seu coração pelo Espírito.Deste modo em companhia dos demais, segundo a vocação e os dons de cada um, pode contribuir para a grandiosa obra de edificação do único Corpo de Cristo.

21 - A natureza humana, débil e limitada, por causa de suas misérias, deixa-se conduzir pela vontade divina e abraça uma vida de conversão sempre mais profunda envolvendo o ser humano por toda a vida e em todas as dimensões, a conversão implica um radical e novo direcionamento a uma progressiva transformação. Guiados pelo Espírito os terceiros buscam a superação dos obstáculos que encontram nos seus caminhos e evitam tudo aquilo que possa desviá-los da estrada rumo ao cume. Além disso, reconhecendo possíveis limitações e resistências, empenham-se em seguir, sem vacilar e sem desvios, por um caminho gradual rumo aos ideais escolhidos.

22 - A “Subida do Monte” implica a experiência do deserto, no qual “a chama viva do amor” de Deus realiza uma transformação que faz com que o Carmelita Secular se desapegue de tudo, até mesmo da imagem que fez de Deu, purificando-a. Revestindo-se de Cristo, começa a resplandecer como imagem viva de Cristo, nele transformado em nova criatura.

23 - Esta transformação gradual toma o terceiro mais capaz de discernir os sinais dos tempos e a presença de Deus na história, reforçando em si mesmo o sentido de fraternidade e conduzindo a um empenho sério e decisivo em favor da transformação do mundo.

Participação na missão de Jesus

24 - Pelo Batismo os leigos Carmelitas tornam-se participantes da missão de Jesus Cristo, dando-lhe continuidade na Igreja, tomando-se assim como que “uma humanidade de acréscimo”, que se transforma em “louvor da sua glória”. Aos seculares é reconhecida “uma participação própria e absolutamente necessária nesta missão.

25 - Em virtude do sacerdócio batismal e dos carismas recebidos, os Seculares Carmelitas são chamados à edificação da comunidade eclesial participando “consciente, ativa e fecundamente”, na vida litúrgica da comunidade e empenhando-se para que a celebração se prolongue na vida concreta. Significa dizer que os frutos de seu encontro com Deus se manifestam em todas as suas atividades, orações e iniciativas apostólicas, no repouso espiritual e corporal e até mesmo nas próprias privações da vida, quando suportadas com paciência e - como nos ensinam os santos Carmelitas - acolhidas de coração aberto.

26 - Com a participação no múnus profético de Cristo e da Igreja o terceiro empenha-se, nas diversas profissões e atividades seculares, por assimilar o Evangelho na fé, anunciando-o por meio de suas obra. O seu empenho chega ao ponto de denunciar o mal com coragem é sem vacilar.  Além disso, é chamado a participar seja no sentido da fé sobrenatural da Igreja, que não pode errar em matéria de fé, seja na graça da Palavra.

27 - Pela sua pertença a Cristo, Senhor e Rei do universo, o terceiro participa de seu múnus real pelo qual é chamado ao serviço do Reino de Deus e a sua expansão na história. A realeza de Cristo implica, antes de tudo, um combate espiritual a vencer em nós mesmos a tirania do pecado. Mediante a doação de nós mesmos, empenhamo-nos em servir, na justiça e na caridade, ao próprio Jesus presente em todos os irmãos e irmãs, e sobretudo nos pequeninos e marginalizados. Isto significa dar à criação todo o seu valor originário. Ao conduzir as criaturas ao verdadeiro bem da humanidade com uma atividade fruto da vida de graça, o terceiro participa no exercício do poder com o qual Jesus Ressuscitado atrai a si todas as coisas.

Caráter de secularidade

28 - “Todos os Carmelitas estão no mundo, em certo sentido, mas a vocação dos leigos é a de transformar o mundo secular. Portanto, os terceiros como leigos comprometidos, se caracterizam pela secularidade, sendo chamados a tratar corretamente das coisas do mundo e a ordena-las segundo á vontade de Deus. Vivem no século em meio ao povo, dedicados à ocupações e ofícios do mundo, nas condições ordinárias e peculiaridades da família e da sociedade. São, portanto, convidados por Deus a contribuir para a santificação do mundo, empenhando-se no seu trabalho com o espírito do Evangelho; e animados pela espiritualidade Carmelita como guia. Sua vocação é iluminar e ordenar as atividades do mundo, de modo que se realizem segundo Cristo e assim sejam o louvor da glória do Criador.

29 - Não deve haver conflito entre o bem temporal e a realização do Reino de Deus, visto que tanto a ordem natural quanto a ordem espiritual derivam de Deus. Todavia existe o risco de se fazer um mau uso dos bens temporais. Por essa razão devem perseguir o ideal de endereçar as descobertas da ciência e da tecnologia para o aperfeiçoamento material e espiritual da vida humana.

Participação no carisma da Ordem

30- A Ordem do Carmo está presente na Igreja com os frades e com as monjas de vida claustral, as de vida ativa e os seculares, que participam de forma diversa e gradual do carisma e da espiritualidade próprios da Ordem Também os leigos, de fato, podem fazer parte do mesmo chamado à santidade e da idêntica missão do Carmelo A Ordem, reconhecendo a sua vocação, acolhe-os, e organiza-os nas formas e modalidades próprias do seu estado de vida, comunica-lhes as riquezas da própria espiritualidade e tradição, tornando-os ainda participantes dos benefícios espirituais e boas obras realizadas por todos os membros da Família Carmelitana. Para os leigos a forma mais completa e orgânica de incorporação na Ordem do Carmo é a profissão na Ordem Terceira do Carmo, pela qual participam do carisma Carmelita, segundo o seu modo específico e próprio de leigos. O Carmelo favorece o ingresso de casais, famílias e jovens que desejam conhecer e viver a espiritualidade Carmelita, ainda que sob novas formas, erigindo a Ordem Terceira do Carmo como forma estável e aprovada de agregação, que pode receber um novo influxo vital do confronto com estas novas formas de iniciativa. O carisma Carmelita vivido desde há séculos em diversas culturas e tradições, oferece um caminho seguro para se chegar à santidade compreendida como padrão da vida cristã ordinária.

31 - Seguindo pelo caminho aberto pelo Concilio Vaticano II, o Carmelo explicitou o próprio carisma de forma sintética, expressa nos documentos recentes nos seguintes termos: “viver no obséquio de Jesus Cristo com postura contemplativa que plasma a nossa vida de oração, de fraternidade e de serviço. Reconhecemos na Virgem Maria e no Profeta Elias os modelos inspiradores e paradigmáticos desta experiência de fé, guias seguros na travessia dos árduos caminhos, que levam “ao cume do monte, Nosso Senhor Jesus Cristo”.

A dimensão contemplativa da existência

32 - Também os leigos Carmelitas são chamados a viver na presença do Deus vivo e verdadeiro, que em Cristo habitou no meio de nós, e a procurar toda a possibilidade e ocasião de alcançar a intimidade divina, deixando-se guiar pela ação do Espírito Santo, os leigos Carmelitas aceitam ser transformados na mente e no coração, no olhar e nos gestos. Todo o seu ser e sua existência se abrem ao reconhecimento da ação imediata e plena de misericórdia de Deus na vida de cada um. Descobrem-se irmãos e irmãs, chamados a repartir o caminho comum em direção à plena santidade e a levar a todos o anúncio de que somos filhos do único Pai, irmãos de Jesus. Deixam-se entusiasmar pelas grandes obras que Deus executa e por meio das quais Ele solicita seu compromisso e eficaz contributo.

33 - “No Carmelo se recorda aos homens, cheios de tantas preocupações, que a prioridade absoluta deve ser dada à procura “do Reino de Deus e da sua justiça”. Por essa razão, na família, no ambiente de trabalho e na vida profissional, nas responsabilidades sociais e eclesiais, nas ações de cada dia, no relacionamento com o próximo, os leigos Carmelitas procuram as pegadas ocultas de Deus. Reconhecendo-as, fazem com que germine a semente da salvação segundo o espírito das bem-aventuranças, com humilde e constante exercício das virtudes da probidade, espírito de justiça, sinceridade, cortesia, fortaleza de ânimo, sem as quais não pode haver uma verdadeira vida humana e cristã.

Maria e Elias: presença, inspiração e guia.

34 - Como Maria, primeira entre os humildes e pobres do Senhor, os leigos Carmelitas vêem-se chamados a glorificar as maravilhas realizadas pelo Senhor na sua vida, com Ela, imagem e flor primogênita da Igreja, aprendem a confrontar episódios freqüentemente tormentosos da vida quotidiana com a Palavra de Deus. Aprendem com Ela a acolher a Palavra com disponibilidade e adesão plena. Maria, em quem a Palavra se faz carne e vida, inspira-lhes a fidelidade à missão, à ação animada pela caridade e pelo espírito de serviço e à efetiva cooperação na realização da obra de salvação. Junto a Maria caminham pelas estradas da história, atentos às autênticas necessidades humanas sempre prontos a condividir com o Senhor o sacrifício da cruz e experimentar com ele a paz de uma vida nova. Maria é membro singular e eminente da Igreja, participou de forma especial e crescente da única mediação entre Deus e os homens, manifestada em Cristo Jesus, da qual a Igreja e hoje portadora e mediadora na história. Os leigos Carmelitas deixam-se acompanhar por Maria na aceitação gradual da responsabilidade de cooperar na ação de salvação e de comunicação da graça específica da Igreja. No Carmelo, esta obra tradicionalmente tem sido vivida como o amor maternal da Virgem Maria para com os seus filhos. Os Carmelitas, sentindo-se chamados por uma tão grande e tenra mãe, não poderiam deixar de amá-la. Assim o ideal Carmelita é o de “perder-se em Deus no calor materno da Santa Virgem”.

35 - Os leigos Carmelitas partilham, além disso, da paixão do profeta Elias pelo Senhor e pela defesa de seus direitos, prontos a defender até mesmo os direitos do homem injustamente violados. Com o profeta aprendem a abandonar tudo, para se refugiarem no deserto e serem purificados, tornando-se prontos para o encontro com o Senhor e para acolher sua Palavra. Sentem-se impulsionados, como o Profeta, a promover a verdadeira religião contra os falsos ídolos. Com Elias os leigos Carmelitas aprendem a acolher a presença do Senhor, quase impõe ao homem com força e doçura. Ele que é o mesmo, ontem, hoje e sempre. Fortificados por essa experiência transformadora e vivificante, os leigos Carmelitas são capazes de retornar a enfrentar as realidades do mundo, seguros de que Deus tem em suas mãos o destino de cada um e da história.

Vida de oração

36 - Os leigos Carmelitas seguem uma intensa vida de oração, centrada no diálogo pessoal, com o Senhor, verdadeiro amigo da humanidade. Como diz Sta. Teresa de Jesus: “A oração nada mais é do que uma relação íntima de amizade...com Aquele que nos ama”. A oração pessoal e comunitária, litúrgica e informal constituiu o tecido da relação pessoal com Deus-Trindade, que anima inteiramente a existência do leigo Carmelita. Na oração “ o essencial não consiste tanto no muito pensar, mas antes no muito amar”; e então, mais do que um exercício, trata-se de uma postura, que implica o reconhecimento da mão de Deus, a disponibilidade de acolher o amor gratuito como dom, não só habitual mas atual , implica uma consciência sempre mais profunda da ação de Deus que permeia toda a existência humana, como testemunha Santa Teresa do Menino Jesus. “A oração é vida e não um oásis no deserto da vida”, dizia o B. Tito Brandsma.  João Paulo II confirma dizendo que,no Carmelo “a oração se toma vida e a vida floresce em oração”.

37 - A vida sacramental centrada na Eucaristia constituiu a fonte da vida espiritual.  O leigos Carmelitas são chamados a uma intensa freqüência aos sacramentos: segundo as possibilidades, aproximem-se diariamente do sacrifício do altar e do banquete da vida, no qual a Igreja encontra a sua inteira riqueza, “ou seja o próprio Cristo, nossa Páscoa e Pão vivo” recebam regularmente o perdão dos pecados e a graça para continuar o caminho; se casados, vivam com intensidade e novidade cristã a própria vocação à santidade matrimonial.

38 - A Liturgia das Horas constitui o apelo diário à graça que brota da Eucaristia e alimenta o autêntico encontro com Deus. Os leigos Carmelitas podem, segundo as suas condições, celebrar pelo menos Laudes, Vésperas e Completas. Lugares e circunstâncias concretas poderão indicar outras eventuais formas de oração litúrgica. Inspirados por Maria, os leigos Carmelitas desejam tomar atual a obra salvífica de Jesus no espaço e no tempo, também através da celebração dos mistérios divinos.   Maria convida-nos a celebrar a liturgia com disposições e posturas iguais às suas: por em prática a Palavra de Deus e meditá-la com amor, louvar a Deus com entusiasmo e agradecer-lhe com alegria, servir a Ele e aos irmãos com generosidade ao ponto de dar a própria vida por eles, orar ao Senhor com fé e perseverança, esperar vigilantes a Sua vinda.

39-. A vida espiritual não se esgota apenas na liturgia. Muito embora chamado à oração comunitária, o cristão deve sempre entrar em seu quarto para rezar ao Pai em segredo; aliás, segundo o ensinamento de Cristo reforçado pelo Apóstolo, deve orar incessantemente. Os leigos Carmelitas, segundo a permanente tradição do Carmelo cultivam em grau máximo a oração em suas várias formas.   Devem conceder uma especial atenção à escuta orante e obediente da Palavra de Deus: a “lectio divina” envolve e transforma toda a existência do homem de fé. Também tiveram sempre um grande espaço na tradição Carmelita, a oração mental, o exercício da presença de Deus, a oração aspirativa, a oração silenciosa e outras eventuais práticas devocionais.

40 - Os leigos Carmelitas trazem com grande veneração o Santo Escapulário, símbolo da caridade maternal de Maria, que, tomando a iniciativa, guarda os irmãos e irmãs Carmelitas no coração e desperta neles o desejo de imitar as suas virtudes: caridade universal, amor à oração, humildade, pureza, modéstia. Quem usa o Escapulário é chamado a revestir-se interiormente de Cristo, para manifestar em sua vida a presença salvífica em favor da Igreja e da humanidade. O Escapulário, além de recordar a proteção que Maria nos concede ao longo de toda a existência, e também no trânsito definitivo até a plenitude na glória, recorda-nos que a devoção Mariana, mais do que um conjunto de práticas piedosas, é um verdadeiro “hábito, ou seja, uma orientação permanente da própria conduta cristã”.

41 - Reunidos por Maria, como os discípulos no Cenáculo, os leigos Carmelitas encontram-se também para louvar a Deus nos mistérios da vida do Senhor e da própria Virgem Maria: a prática piedosa do Santo Rosário, pode tornar-se uma fonte inexaurível de verdadeira espiritualidade para alimento da vida quotidiana.

Fraternidade

42 - Os leigos Carmelitas, sustentados pela graça e guiados pelo Espírito, que os encoraja a viver com firmeza a vida cristã, seguindo as longas veredas do Carmelo, reconhecendo como irmãos e irmãs de quem quer que seja chamado a compartilhar o mesmo carisma. “O leigo Carmelita pode formar comunidade de diversos modos: na própria família, que é a Igreja doméstica; na paróquia onde é chamado a adorar Deus junto com os irmãos e a participar da vida comunitária; na própria comunidade terciária Carmelita, na qual encontra sustento para a caminhada espiritual; no ambiente de trabalho e no próprio meio onde vive”.

43 - A vida associativa dos leigos Carmelitas deve destacar- se pela simplicidade e autenticidade; cada comunidade deve ser um lar de fraternidade, onde cada um se sente em sua própria casa, acolhido, conhecido, valorizado, encorajado na caminhada, e quando necessário, corrigido com atenção e caridade.  Os leigos Carmelitas empenhem-se, portanto, em colaborar com os demais membros da Família Carmelita e com toda a Igreja, a fim de que esta realize a própria vocação missionária nas mais diversas situações e condições.

44 - A fraternidade se reflete também em sinais externos. Cada leigo Carmelita é como uma centelha de amor fraterno lançada em direção ao jardim da vida: deve ser capaz de incendiar quem quer que se aproxime. A vida familiar, o ambiente de trabalho ou profissional, os meios eclesiais freqüentados por leigos Carmelitas, devem receber deles o calor que nasce de um coração contemplativo, capaz de reconhecer em cada um os traços da semelhança com o rosto de Deus. A comunidade de leigos Carmelitas toma-se, deste modo, um centro de vida autenticamente humana, porque autenticamente cristã. Da experiência de se reconhecerem como irmãos e irmãs, nasce a exigência de envolver outros na fascinante aventura humano-divina da construção do Reino de Deus.

45 - Em um mundo cada vez menor, mais vizinho, mais unido por vínculos diversos e complexos, os leigos Carmelitas devem sempre testemunhar a sempre autêntica universalidade, sabendo valorizar as riquezas e as potencialidades de cada um reconhecendo-se parte de uma família internacional e favorecendo todas as ocasiões possíveis de encontro e intercâmbio frutífero entre os membros da Ordem.

Serviço

46 - A finalidade da Igreja é difundir o Reino de Cristo sobre a terra, para tornar todos os homens participantes da salvação operada pela Redenção. “Como todos os Carmelitas, o leigo Carmelita é chamado a realizar algum tipo de serviço parte integrante do carisma dado à Ordem por Deus”. Santa Teresinha do Menino Jesus descobriu essa dimensão de sua vida Carmelitana quando, lendo a Sagrada Escritura, se descobriu como “o Amor.. .no coração da Igreja”: para muitos terceiros esta é sua contribuição fundamental para a edificação do Reino. Sendo próprio dos leigos viver no mundo e em meio aos assuntos seculares, é ai mesmo que são chamados por Deus a desenvolver a missão da Igreja e a ser fermento cristão para as atividades temporais, nas quais estão profundamente envolvidos. Os fiéis leigos não podem de fato abdicar da participação na “política”, ou seja, nas múltiplas e diversas atividades, econômicas, sociais, legislativas, administrativas e culturais, destinadas a promover orgânica e institucionalmente o bem comum

47 - Santa Maria Madalena de Pazzi nos recorda que não se pode licitamente saciar a própria sede da contemplação de Cristo sem esforçar-se par apagar a sede do próprio Jesus, desejoso de almas a serem redimidas com a oração e o apostolado harmonicamente unidos entre si. Os leigos Carmelitas, prontos a testemunhar a própria fé por meio de suas boas obras, recebem a força de atrair os homens à fé em Deus, tomando-se assim “louvor da glória de Deus”.  Em tempos de desorientação e radicais mudanças, podem constituir um ponto de referência seguro para muitos. Também o profeta Elias, personagem de um mundo em crise, no qual o povo era impelido a abandonar o verdadeiro Deus, convicto de ser auto-suficiente, era sustentado pela certeza de que Deus é mais forte do que qualquer crise ou qualquer perigo. Por esta razão os leigos Carmelitas, em um mundo cada vez mais inseguro ante as questões fundamentais e em tempos que propõem novos problemas de fé, morais e sociais, esforçam-se para criar ocasiões oportunas para oanúncio de Jesus Cristo, proclamando a mensagem sempre nova do Senhor da vida e da história, único e seguro ponto de referência de toda a existência e da vida de cada ser humano.

48 - A experiência do deserto, paradigmática na saga do Profeta, toma-se passagem obrigatória para os Carmelitas seculares convocados para serem purificados no deserto da vida, para encontrarem o Senhor em sua plenitude. Do mesmo modo, percorrem a insubstituível via do deserto da mortificação interior, para entrarem na escuta do Senhor, que lhes fala ao coração através de novas e inquietantes manifestações da vida do mundo, mas também por meio de sinais muitas vezes de difícil interpretação ou por meio daquela voz silenciosa e quase imperceptível do Espírito. Eles retornam entusiasmados dessa experiência e descobrem-se como incansáveis animadores do meio no qual são chamados a atuar. Animados por este encontro são capazes de anunciá-lo como única resposta a tentações sempre possíveis da negação de Deus ou de orgulhosa auto-suficiência. Sustentados pelo Espírito, os terceiros não se deixam desencorajar pelos insucessos aparentes, pela indiferença, pela falta de acolhimento ou pelos sucessos dos que vivem em desacordo com o Evangelho.

49 - Os terceiros reconhecem e mostram com a vida que as atividades temporais e o próprio trabalho material são participações na obra sempre criadora e transformadora do Pai, verdadeira oferta de serviço aos irmãos e autêntica promoção humana. Testemunhas num mundo que não assimila plenamente ou, rejeita integralmente a união íntima e vital com Deus na sua realidade quotidiana, conhecem ou compartilham com simpatia as suas esperanças e as suas aspirações mais íntimas, porque, chamados a ser “sal da terra” e “luz do mundo”, anunciam ao povo a ciência da salvação.

PARTE II
ESTATUTOS GERAIS

I –ESTRUTURA

Características Gerais

50 - A Ordem Terceira do Carmo (OTC), ou seja a Ordem Carmelita Secular (OCS) é urna associação pública de fiéis, de caráter internacional, erigida por privilégio apostólico, com o escopo de buscar a perfeição cristã e dedicar-se ao apostolado,  oferecendo a própria oração e os próprios sacrifícios por intenção da Igreja, participando no meio do mundo do carisma da Ordem do Carmo, com o propósito de viver segundo o Evangelho, no espírito da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, sob a mais alta direção da própria Ordem.

51- A Ordem Terceira do Carmo é enriquecida pelos fiéis, que sob inspiração do Espírito Santo, em resposta a um particular chamado de Deus, livre e deliberadamente, prometem viver segundo as normas do Evangelho no espírito do Carmelo.  A Ordem Terceira do Carmo, assim como outras formas de associação do Laicato Carmelita, tem o seu lugar na estrutura e no espírito de toda a Família Carmelitana. A Ordem empenha-se em auxiliá-los a atingir o escopo almejado: sanear e desenvolver a sociedade humana com o fermento do Evangelho.

52 - A Ordem Terceira do Carmo ou Ordem Carmelita Secular, junto a outros grupos ou comunidades que se inspiram na Regra do Carmo, na sua tradição e valores expressos na espiritualidade do Carmelo, constitui na Igreja a Família Carmelita.

53 - Ao Prior Geral da Ordem do Carmo, pai espiritual, chefe e sinal de unidade de toda a Família Carmelita, cabe assegurar eficazmente também o bem espiritual da Ordem Terceira, promovendo seu incremento e sua vitalidade por meio de um Delegado para o Laicato Carmelita.

Vida fraterna

54 - A Ordem Terceira do Carmo se divide em comunidades, comumente chamadas Fraternidades ou Sodalícios, os quais são dirigidos pelos seus próprios membros segundo as normas contidas nesta Regra e nos Estatutos de cada Sodalício, sob a mais alta direção do Superior da Ordem ou dos seus delegados.

55 - Alguns membros da Ordem Terceira do Carmo, segundo uma antiga tradição, são chamados a viver em comunidades de vida reguladas pelos estatutos particulares.

56 - As comunidades são erigidas canonicamente pelo Prior Geral da Ordem com o consenso de seu Conselho, com o prévio consentimento do Prior Provincial e do Bispo diocesano; para a ereção de uma casa da Ordem vale também para a ereção de um Sodalício da Ordem Terceira, junto à mesma casa ou à Igreja anexa.

Assistência Espiritual

57 - Para permitir uma participação sempre maior dos terceiros na Ordem e na Igreja, o Conselho Geral e, de forma especial, os Priores Provinciais, pessoalmente ou por meio de seus delegados, segundo as disposições dos Estatutos de cada Província, são responsáveis pela assistência espiritual da Ordem Terceira.  De modo especial ajudem com solicitude os Sodalícios estabelecidos no território da sua competência, a fim de que sejam permeados de uma autêntica vida Carmelitana e cuidem para que, na realização de suas atividades os membros da Ordem Ter-ceira sejam sempre fiéis aos princípios e orientações da Ordem. Cuidem também para que cada comunidade colabore com as atividades de apostolado existentes na diocese, na qual está esta-belecida, atuando sobretudo, sob a direção do Ordinário do Lugar, junto com outras associações de fiéis de escopo semelhante, existentes no território da mesma diocese.

58 - Os assistentes espirituais locais são geralmente sacerdotes da Ordem. Quando não é possível fornecer ao Sodalício um assistente espiritual que seja sacerdote, essa assistência pode ser confiada a um religioso ou a uma religiosa da Ordem do Carmo.  A assistência espiritual pode ser confiada também a sacerdotes, que não pertençam à Ordem, preferencialmente membros da Ordem Terceira, que sejam capazes de desenvolver tal tarefa de acordo com a espiritualidade Carmelita. Os assistentes espirituais são nomeados por um tempo determinado de 5 anos, renováveis, pelo Prior Geral ou pelo Prior Provincial, após ouvirem os oficiais maiores do respectivo Sodalício. Tratando-se de um sacerdote não Carmelita é necessário o beneplácito do respectivo Ordinário.

Governo

59 - O órgão supremo de governo é a Assembléia Geral da Associação ou Sodalício, compôs-ta por todos os seus membros. Os respectivos Estatutos definem as competências e o funciona-mento da Assembléia Geral.

60- Cada comunidade ou fraternidade é dirigida por um Conselho. Integram o Conselho o assistente Espiritual, o Moderador (ou responsável) e dois ou mais Conselheiros (não mais que quatro), segundo o número de membros que componham o Sodalicio e de acordo com as disposições do respectivo Estatuto. O responsável pela formação também é integrante do Conselho.

61 - Cabe ao Conselho, especialmente ao seu Moderador, com o auxílio do Assistente Espiritual, defender os interesses do Sodalício, a fim de que seus membros possam responder de forma mais eficaz à sua vocação de terceiros empenhados na construção do Reino de Cristo, em sua própria vida e na sociedade, segundo a espiritualidade e o carisma do Carmelo ao qual foram chamados pelo Espírito, que distribui os dons segundo sua vontade. Tal tarefa deve ser desempenhada com espírito evangélico de serviço, evitando quaisquer formas de poder despótico.

Eleição dos Oficiais

62 - Os membros do Conselho, exceto o Assistente Espiritual, são eleitos pela Assembléia Geral do Sodalicio, por um período de três anos. O moderador, uma vez eleito, deve ser confirmado pelo Prior Geral ou pelo Prior Provincial.

63 - As eleições dos membros do Conselho são presididas pelo Assistente Espiritual e realizam-se segundo as disposições dos respectivos Estatutos, respeitadas as normas do direito comum da Igreja.

64 - Cabe ao Conselho nomear por sua vez o Secretário, o Tesoureiro e outros eventuais oficiais, de acordo com as necessidades e dimensão do Sodalício. Os estatutos locais determinem as funções dos vários oficiais maiores, suas tarefas e atribuições; se previstas nos Estatutos, o Secretário e o Tesoureiro podem integrar o Conselho.

65 - Em circunstâncias especiais, justificadas por causa grave, a autoridade eclesiástica, ou seja, o Prior Geral ou o Prior Provincial, podem designar um comissário, que em seu nome dirija temporariamente o Sodalício.

66 - O Moderador pode ser destituído, por justa causa, por quem o confirmou, devendo ser previamente ouvido, seja o próprio Moderador, sejam oficiais maiores do Sodalício, de acordo com os Estatutos. Por causa grave, também o Assistente Espiritual pode ser removido de seu oficio, nos termos dos cânons 192-195, por quem o nomeou, observadas as mesmas condições.

Administração dos bens

67- Seja a Ordem Terceira do Carmo enquanto tal, sejam os diversos Sodalícios canonicamente constituídos, com o decreto de ereção adquirem personalidade jurídica conforme o Direito Canônico e recebem, de acordo com a sua finalidade, a missão para a execução dos fins a que se propõem alcançar em nome da Igreja.

68 - A Ordem Terceira do Carmo, bem como os diversos Sodalícios, como pessoas jurídicas públicas são sujeitos capazes de adquirir, possuir, administrar e alienar bens temporais nos termos do Direito Canônico, todos os seus bens são bens eclesiásticos e são regidos pelas disposições do direito comum da Igreja, assim como pelos respectivos Estatutos, que em sintonia com o citado direito determinam a maneira de administrar os bens.

69 - Os Estatutos dos respectivos Sodalícios determinam o responsável pela administração dos bens, o qual pode realizar todos os atos de administração ordinária. Para a realização de atos de administração ordinária é necessário: 
a)   Autorização do Prior Geral da Ordem do Carmo com o consenso de seu Conselho.
b) Licença da Santa Sé para atos cujo valor excede a soma fixada pela própria Santa Sé ou que envolvam objetos de alto valor artístico ou histórico, ou quando se trata de “ex-voto” doado a Igreja.

70 - O patrimônio tanto da Ordem Terceira quanto dos diversos Sodalicios, é constituído por todos os bens móveis e imóveis em seu poder, e das doações de membros e benfeitores, as receitas por atividades desenvolvidas, ofertas, doações, heranças, legados e aquisições a qualquer título.

Extinção e Supressão

71 - Um Sodalício pode ser supresso, por causa grave, pelo Prior Geral com o consentimento de seu conselho, ouvidos previamente o Prior Provincial e os oficiais da respectiva comunidade. Os Estatutos locais estabeleçam o procedimento de uma eventual extinção, caso contrário valem as normas do direito comum. Sempre se deve consultar previamente a autoridade competente da Ordem do Carmo.

72 - No caso da supressão ou de extinção de uma comunidade da Ordem Terceira do Carmo, os bens e os direitos patrimoniais da comunidade supressa ou extinta, como também os seus encargos, passam para a pessoa jurídica imediatamente superior, ou na falta desta, para a Província da Ordem em cujo âmbito tal comunidade se encontra; se por outro lado, o Sodalício se encontra fora do território de uma Província da Ordem, os bens e os direitos patrimoniais passam para própria Ordem.

Direito próprio e sua interpretação

73 - Os Sodalícios da Ordem Terceira são regidos pela presente Regra aprovada pela Santa Sé; contudo é aconselhável que haja Estatutos em âmbitos nacional, provincial, ou local, formulados segundo a realidade local. Contudo, devem ser submetidos à aprovação da autoridade competente da Ordem, ou seja do Prior Geral ou do Prior Provincial, como consenso dos respectivos Conselhos, segundo o disposto nos Estatutos.

74 - É louvável, para a mútua colaboração e unidade entre as diversas comunidades, a instituição de Conselhos nos diversos âmbitos: regional, nacional e internacional. Devem ser regidos por Estatutos próprios aprovados pela autoridade competente.

75 - A autoridade competente pára a interpretação autêntica da presente Regra é a Santa Sé. O Prior Geral da Ordem, com o consenso de seu conselho, pode dar interpretação prática, sempre que necessário.

II-Admissão e Formação

Admissão

76 - Podem ser admitidos na Ordem Terceira do Carmo todas a pessoas que preencham os seguintes requisitos: professar a fé católica viver em comunhão com a Igreja, ter boa conduta moral, aceitar a presente Regra e desejar viver e agir de acordo com a espiritualidade do Carmelo. Os clérigos diocesanos podem ser membros efetivos da Ordem Terceira do Carmo e participar a pleno título, ainda que carentes do caráter laical, na medida em que tal caráter é incompatível com o estado clerical.

77 - Os candidatos são admitidos, na Ordem Terceira e incorporados num Sodalício pelo respectivo Assistente ou pelo Prior Provincial, do qual depende, ou p&o Prior Geral ou seu Delegado com o consenso dos respectivos conselhos, salvo o disposto no n. 82.

78 - Os que vivem distantes de um Sodalício e estão impedidos de participar de suas atividades, por razões especiais podem ingressar na Ordem Terceira ainda que não sejam membros de um Sodalício específico, desde que, observadas as normas relativas à admissão e à profissão, vivam segundo a presente Regra da Ordem Terceira do Carmo e sob a direção de seus superiores ou do próprio confessor. Todavia, se recomenda um contato freqüente com o assistente espiritual da comunidade mais próxima. Os respectivos Estatutos prevejam as modalidades de sua formação, quer inicial quer permanente.

79 - Os candidatos à Ordem Terceira do Carmo devem ser católicos praticantes, ter ao menos dezoito anos de idade, se os Estatutos não dispõem de forma diversa, e devem também apresentar uma carta de recomendação do próprio pároco ou de outro sacerdote idôneo que os conheça; nada impede que os Terceiros Carmelitas sejam membros de outra associação se os Estatutos locais não dispõem de forma diversa.

FORMAÇÃO

80 - Após o devido período de discernimento, previsto nos Estatutos, os candidatos serão admitidos à fase de formação espiritual conforme previsto nos mesmos Estatutos.

81 - A formação inicial deve ser de, pelo menos, um ano, durante o qual os candidatos estudam e vivem a Regra da Ordem Terceira do Carmo, conhecem a espiritualidade e a história carmelita, bem como as grandes figuras da Ordem, sob a orientação do responsável pela formação, o qual, junto com todo o Conselho, tem a responsabilidade de assegurar uma adequada instrução, recorrendo para isso aos meios necessários e às pessoas mais capazes.

82 - Ao término do período de formação inicial, o Conselho pode convidar aqueles que se sentem de forma especial chamados pelo Espírito Santo, a ligar-se mais estreitamente a Deus por meio de vínculos com votos ou com promessas, que, no espírito batismal, os solicitarão de forma mais eficaz à prática plena do Evangelho, segundo as orientações da presente Regra. Para admissão aos votos ou promessas segue-se o disposto no nº 77.

PROFISSÃO

83 - A profissão far-se-á segundo o ritual próprio da Ordem Terceira.
a) A primeira profissão será por um período de três anos, durante os quais os irmãos e/ou irmãs vivem plenamente a vida de comunidade, continuando o processo de formação, aprofundando os diversos aspectos da vida Carmelita. 
b) Ao término do período de três anos, feito o devido discernimento e sendo aprovado pelo Conselho do Sodalício, o irmão poderá emitir sua profissão definitiva ou perpétua.
c) Recomenda-se que em cada ano, por ocasião da comemoração solene da Santíssima Virgem do Carmo, nossa Mãe e Irmã, os membros da Ordem Terceira, pessoalmente ou comunitariamente, renovem sua profissão.

84 - O ingresso visível na Ordem Terceira pode se dar com a entrega do hábito tradicional, ou do Escapulário. Os Estatutos locais devem dispor sobre o seu uso.

85 - Cada Sodalício deverá manter um livro de registro dos seus membros, anotando o nome, data da profissão e outros julgados convenientes.

86 - Os membros dos Sodalícios da Ordem Terceira do Carmo candidatos às sagradas ordens, quando previsto nos respectivos Estatutos, podem ser incardinados na Ordem do Carmo, com a ordenação diaconal, após serem definitivamente incorporados em uma comunidade da própria Ordem Terceira do Carmo; daquele momento em diante passam a depender do Prior Geral como seu ordinário, salvo naquilo que diz respeito aos deveres provenientes da condição de membro de uma comunidade da Ordem Terceira. Neste caso as relações entre o clérigo terceiro e a Ordem do Carmo deverão ser definidas pelos Estatutos da sua comunidade e aceites pelo Superior Geral por meio de um instrumento adequado.

87 - Cada comunidade estabeleça um programa de formação permanente.

Apostolado

88 - Os membros da Ordem Terceira do Carmo são chamados ao apostolado em sua várias modalidades: desde a oração ao empenho co-responsável nas diversas atividades eclesiais, até à oferta do próprio sofrimento em união com Cristo.

89 - Os Estatutos locais estabeleçam as formas de atividade apostólica. Estas podem concretizar-se nas mais diferentes modalidades, que a vida moderna oferece e solicita. Por meio da ação comum os Terceiros Carmelitas tendem a alcançar uma vida sempre mais perfeita. Alguns podem empenhar-se na difusão da mensagem cristã, outros na realização de obras apostólicas, de evangelização, de piedade e de caridade, sempre com o escopo de animar a ordem temporal mediante o espírito cristão. Também o trabalho ou a atividade profissional, exercidos, seja individualmente, seja em grupo ou comunidade, podem ser um modo de realizar a vocação para o apostolado.

Direitos e obrigações

90 - Todos os membros da Ordem Terceira do Carmo têm os mesmos direitos e obrigações, em conformidade com os Estatutos provinciais e locais.

91 - Os Terceiros Carmelitas devem reunir-se periodicamente, segundo a periodicidade e formas estabelecidas nos Estatutos, a fim de que formem juntos uma comunidade em meio à qual a palavra de Cristo habita de forma abundante; exortem-se mutuamente principalmente no que se refere à correta assimilação do carisma próprio da Ordem, à qual pertencem ,para que sejam membros vivos da Igreja, participando das aspirações, iniciativas e atividades de toda a Família Carmelita, de forma que esta possa em seu todo exercitar no Corpo de Cristo a missão que o Senhor
constantemente lhes confia.

92 - Os Sodalícios devem estabelecer em seus Estatutos o modo mais adequado de assistir espiritualmente os irmãos e irmãs idosos ou enfermos.

93 - Para isso, espontaneamente se inspirem na espiritualidade e nos ensinamentos dos grandes santos, que Deus suscitou no Carmelo.

94 - Cada um pode deixar livremente a Ordem Terceira do Carmo por meio de pedido escrito endereçado ao Conselho do Sodalício, o qual pode aceitá-lo. Os membros podem também ser expulsos por justa causa, ou seja pelas razões estabelecidas no direito comum ou por reiterada e injustificada infração dos próprios deveres. A decisão cabe ao Conselho segundo o disposto nos Estatutos, após ter ouvido e advertido o interessado. Resta-lhe sempre o direito de recorrer à autoridade eclesiástica competente, ou seja ao Prior Geral ou ao Prior Provincial.

EPÍLOGO

Os membros da Ordem Terceira do Carmo se empenhem em encarnar em suas próprias vidas a vocação Carmelitana exposta nesta Regra. Empreendam a única e efêmera viajem da vida terrena como uma colônia de cidadãos, cuja pátria é o céu, procurando compreender com o auxílio dos santos, todas as dimensões da caridade de Cristo que supera toda a ciência; ansiosos, por meio de fervorosas aspirações e vivo desejo, por alcançar a terra que o Senhor, na sua partida, prometeu preparar para nós. Enraizados e fudamentados na caridade, sempre vigilantes e trazendo nas màos as lâmpadas acesas, conscientes de que “ao entardecer serão julgados sobre o amor”, multipliquem os próprios talentos, para que na hora da morte, mereçam ouvir do Senhor o convite para entrarem na sua glória.